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Entendendo a Endometriose

Endometriose e gravidez: riscos e acompanhamento

Uma dúvida frequente depois do diagnóstico é se a endometriose atrapalha a gravidez, e não só na hora de engravidar. A pergunta é legítima e merece resposta com base no que a pesquisa encontrou, sem alarme e sem minimizar.

Sobre a dificuldade para engravidar, veja o artigo endometriose e fertilidade. Aqui o foco é a gestação em si.

Primeiro: engravidar com endometriose é possível

A endometriose é uma doença crônica que, segundo a Organização Mundial da Saúde, atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, algo em torno de 190 milhões no mundo. Entre os sintomas listados pela OMS está a infertilidade, mas isso não quer dizer que todas as mulheres com a doença serão inférteis. Muitas engravidam espontaneamente, e outras com apoio de reprodução assistida.

A OMS também é clara em outro ponto: não existe cura conhecida. A gravidez não cura a endometriose, embora alguns sintomas possam mudar durante a gestação.

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O que as revisões científicas encontraram

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2024 na revista Human Reproduction Update reuniu dezenas de estudos para separar o efeito da endometriose do efeito dos tratamentos de fertilidade. Os principais achados:

  • Placenta prévia: risco maior em mulheres com endometriose, independentemente de a gravidez ter sido espontânea ou por reprodução assistida. A associação foi mais forte nas formas mais graves da doença.
  • Parto prematuro: também associado à endometriose, com evidência de qualidade baixa.
  • Cesárea: mais frequente entre mulheres com endometriose.

Outra meta-análise, publicada em 2021 no Journal of Clinical Medicine, analisou 39 estudos e encontrou associação da endometriose com hipertensão na gestação, pré-eclâmpsia, parto prematuro, placenta prévia, descolamento de placenta, cesárea e natimorto.

Como ler esses números sem pânico

"Risco maior" não quer dizer que a complicação vai acontecer. Em boa parte dos achados, o aumento é moderado, e os próprios autores apontam limites: são estudos observacionais, com formas diferentes de diagnosticar a doença e de comparar grupos. A maioria das mulheres com endometriose tem gestações sem essas complicações.

O que esses dados sustentam é algo prático: a equipe do pré-natal precisa saber do diagnóstico, para acompanhar com mais atenção os pontos em que o risco é maior.

O que conversar com a equipe do pré-natal

  • Informe o diagnóstico de endometriose e leve os exames e laudos de cirurgia, se houver.
  • Pergunte se a sua forma de endometriose muda algo no acompanhamento ou nos exames de imagem.
  • Combine quais sinais exigem procurar atendimento imediatamente, como sangramento ou dor forte.
  • Se a gravidez veio por reprodução assistida, conte também, porque isso entra na avaliação.

Levar as perguntas por escrito ajuda. O guia como fazer o médico levar sua dor a sério tem um roteiro que serve para qualquer consulta.

E depois do parto?

Como a endometriose é crônica, os sintomas podem voltar depois da gestação e da amamentação. Planejar com o médico o acompanhamento no pós-parto evita que a dor volte sem plano. Para entender as opções, veja o panorama de tratamentos.

Fontes

  1. Organização Mundial da Saúde. Endometriosis (fact sheet). https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/endometriosis
  2. Busnelli A. et al. Untangling the independent effect of endometriosis, adenomyosis, and ART-related factors on maternal, placental, fetal, and neonatal adverse outcomes. Human Reproduction Update, 2024. https://doi.org/10.1093/humupd/dmae024
  3. Breintoft K. et al. Endometriosis and Risk of Adverse Pregnancy Outcome: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Clinical Medicine, 2021. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7916165/
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Perguntas frequentes

Quem tem endometriose pode engravidar?

Sim. Muitas mulheres com endometriose engravidam, de forma espontânea ou com ajuda de reprodução assistida. A doença pode dificultar, mas não impede em todos os casos.

A gravidez cura a endometriose?

Não. A endometriose é uma doença crônica sem cura conhecida, segundo a Organização Mundial da Saúde. Alguns sintomas podem mudar durante a gestação, mas isso não significa cura.

A gestação com endometriose é de alto risco?

Revisões científicas mostram risco maior de algumas complicações, como placenta prévia e parto prematuro. Quem define o tipo de acompanhamento é a equipe de pré-natal, avaliando cada caso.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um médico.

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