Endometriose na adolescência: sinais que pais e jovens não devem ignorar
Muitas mulheres com endometriose contam a mesma história: a dor começou cedo, ainda na escola, e durante anos ouviram que era normal. A Organização Mundial da Saúde lembra que a endometriose pode afetar mulheres desde a primeira menstruação até a menopausa. Olhar para a adolescência com atenção é uma das formas de encurtar o caminho até o diagnóstico.
O que dizem as diretrizes
A diretriz do NICE, do Reino Unido, orienta suspeitar de endometriose em mulheres, incluindo meninas de 17 anos ou menos, que apresentem um ou mais destes sinais: dor pélvica crônica, dor menstrual que atrapalha as atividades e a qualidade de vida, dor profunda na relação sexual, sintomas intestinais ou urinários ligados ao ciclo.
A diretriz europeia da ESHRE, atualizada em 2022, ganhou uma seção nova dedicada à endometriose na adolescência, com orientações sobre diagnóstico e tratamento dos sintomas em adolescentes e jovens adultas.
Sinais que merecem atenção
- Cólica que faz faltar à escola, a atividades esportivas ou a encontros com amigos.
- Dor que não melhora com as medidas que costumam funcionar, ou que piora a cada ciclo.
- Dor fora da menstruação, no pé da barriga, de forma repetida.
- Dor para evacuar ou para urinar no período menstrual.
- Menstruação muito volumosa, com troca de absorvente em intervalos curtos.
Nenhum desses sinais confirma endometriose sozinho. Eles indicam que a dor merece ser investigada, e não apenas tolerada.
Por que o diagnóstico demora
A OMS estima que o tempo médio até o diagnóstico fica entre 4 e 12 anos. Na adolescência, dois fatores pesam: a ideia de que "cólica forte é normal nessa idade" e a dificuldade de falar sobre menstruação com adultos e profissionais. O artigo sobre mitos que atrapalham trata dessas crenças.
Como pais e responsáveis podem ajudar
- Levar a queixa a sério. "Isso é normal" encerra a conversa; "me conta como é essa dor" abre.
- Registrar por alguns ciclos os dias de dor, a intensidade e as faltas. O diário de sintomas tem um modelo pronto.
- Procurar avaliação com pediatra, hebiatra ou ginecologista, e levar o registro.
- Cuidar do lado emocional. Dor recorrente afeta humor, sono e rendimento escolar; veja endometriose e saúde emocional.
O que esperar da consulta
O profissional deve ouvir o histórico, examinar quando for adequado para a idade e, se necessário, pedir exames de imagem. O tratamento dos sintomas é individual e decidido com a família. Para entender os caminhos possíveis, veja o artigo sobre diagnóstico.
Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica. Dor intensa com febre, desmaio ou sangramento fora do habitual pede atendimento imediato.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde, Endometriosis (fact sheet): https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/endometriosis
- NICE NG73, recomendações: https://www.nice.org.uk/guidance/ng73/chapter/Recommendations
- ESHRE, Endometriosis guideline (2022): https://www.eshre.eu/Guideline/Endometriosis
Perguntas frequentes
Adolescente pode ter endometriose?
Sim. A OMS afirma que a endometriose pode afetar mulheres desde a primeira menstruação até a menopausa, e a diretriz do NICE inclui meninas de 17 anos ou menos entre as que devem ser avaliadas quando há sintomas.
Cólica que faz faltar à escola é normal?
Dor menstrual que atrapalha as atividades do dia é um dos sinais listados pelo NICE para suspeitar de endometriose. Vale uma avaliação médica.
Como falar com o médico sobre isso?
Leve um registro de alguns ciclos: dias de dor, intensidade de 0 a 10, faltas na escola e o que foi tentado para aliviar.
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